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E se a Universidade não servir pra você?

Eu, assim como a maioria das pessoas que conheço, cresci com uma espécie de planejamento para o meu futuro, normal. Que seria basicamente ir para o colégio, passar os “jardins”, o fundamental, e concluir o ensino médio já tendo em mente a universidade que iria cursar – pública, é claro. Meus pais não tinham dinheiro pra inserir nos planos uma faculdade particular,  além de ter no meio esse orgulho que é amarrado a entrar em uma pública, sabe como é.

Como eu disse, plano dos pais.

Doutor, advogado, engenheiro, médico. Quem nunca, na infância e adolescência, ouviu seus pais ou parentes mais velhos lhe colocando a responsabilidade de exercer um desses cargos no futuro?  Quando criança parece uma coisa tão simples, uma linha lógica, como a que eu falei algumas linhas acima.

Então você, seguindo o conselho de seus pais, que dizia “estuda, estuda… só assim você vai ser alguém na vida“, foi lá, trilhou seu caminho (o das pedras, como não esquecem de insistir alguns cursos pré-vestibulares) e finalmente chegou à última etapa antes de entrar no ensino superior, o vestibular. Mas no dia do resultado, após conferir no mínimo dez vezes a lista de aprovados, e ficar 15 minutos com os olhos fixos na tela do computador, não conseguiu achar seu nome completo – no máximo alguns nomes ou sobrenomes isolados – que você com certeza espraguejou até a morte.

Tive amigos que apanharam dos pais, alguns choraram semanas, outros simplesmente desistiram, e poucos que passaram. Bem, incrivelmente, dentre os abençoados com a aprovação, alguns fizeram exatamente o contrário do que seria esperado por todos os envolvidos: largaram o curso (ou trancaram, “provisoriamente para sempre“).

O que há em comum entre todos esses grupos de pessoas é que, com certeza, sofreram uma pressão (e até mesmo preconceito) enorme dos amigos, professores, parentes, mas principalmente dos pais ou até mesmo da própria consciência, que não consegue admitir ou entender ser inferior aos outros. Não ser “tão inteligente quanto o seu primo, que passou de primeira“, ou quanto aquela menina meio estranha que sentava no canto da sala e passou em primeiro lugar na federal.

Antes de tomar qualquer decisão, é a hora para parar e pensar: a Universidade é REALMENTE o que eu quero?

Afinal, essa essa é uma pergunta tão óbvia, mas tão óbvia, que quase ninguém se faz. “É CLARO que eu quero ir pra universidade, por que não?“. Quando a pergunta que deveria ser feita é “Peraí,… por que sim?”.

Entrei na universidade com a expectativa de que seria uma extensão ao colégio, apenas uma continuação do ensino médio: trabalhos para casa, algumas atividades em sala, empurrando com a barriga, e caso tirar alguma nota baixa, só me esforçar um pouco pra passar de ano. Ledo engano.

Tive que fazer coisas que nunca tinha feito antes (ou pelo menos não da mesma forma), como passar horas em uma biblioteca, afinal, com a Wikipedia e a internet em geral, me diz quando foi a última vez que você foi em uma? Não lembra? Pois é, nem eu. Quando foi que você reuniu um grupo em casa pra fazer um seminário (ou “trabalho-pra-apresentar”, como gostamos de dizer no ensino médio)e FEZ e estudou para o trabalho, de verdade? E falando nisso, quantas pesquisas você fez completamente sozinho sem ajuda da mãe-de-todos? Então ;).

Acontece que lá você tem que PRODUZIR – essa é uma palavra que se ouve bastante – e não copiar.
Ou você cria, ou você reprova.

Eu sei que isso é duro, até pode soar um pouco pretensioso, mas se você tiver lido todas as linhas com atenção até aqui, já deve prever o que vou dizer e entender que a verdade é que:

A universidade não é para todos.

Sim, é verdade.

Mas peraí, não digo isso porque poucos conseguem entrar, mas porque nem todos conseguem se manter e tirar um real proveito de tudo que a universidade tem a oferecer. Ter um ensino superior, se formar, mas… pra quê?

Melhores salários? Você com certeza já ouviu a frase “hoje em dia tem cara formado procurando emprego de gari“, favor não levar à questão de a frase ser preconceituosa ou não, ela é apenas… verdade. Figurativamente. E se é um bom salário que você quer, pra que se matar estudando durante anos se você pode fazer um concurso e – dependendo do concurso – ganhar a mesma coisa ou até mesmo mais? (a menos que você almeje ganhar mais de R$20 mil por mês né).

E outra, hoje temos vários (eu ia dizer “milhares” mas não sei confere a informação) cursos técnicos que, cara, duram até mesmo um mês e pronto: você tem seu diploma e maiores chances de arrumar emprego – inclusive através de concursos.

A Universidade não é uma extensão natural do ensino médio. E muito menos uma fábrica de gente rica (bem, talvez pra alguns cursos, sim rs).

Peço que não interpretem mal o que eu disse até agora. Eu sempre me dou ao trabalho de encorajar de verdade todas as pessoas que eu conheço entrar em uma universidade porque é um ambiente incrível, a vida muda bastante e pra muitos é um sonho (como pra mim era) e sem falar dos mil caminhos que você encontra lá dentro. O que acontece é que muita gente vai, faz cursinho, estuda, se mata e nem ao menos para pra pensar se esse é realmente o seu sonho, e não de outras pessoas.

Por que, na boa, no final das contas, o que vai importar de verdade, não é o que as pessoas pensam sobre você ou que você faz, ninguém vai pagar suas contas. Nem sua profissão, nem seu carro, seu dinheiro, isso não vai mudar quem você é. Muito menos a formação que você tem.

A universidade pode não servir pra todo mundo, mas a chance é igual pra todos. Por isso pense, analise de verdade, se é o que você precisa, se é o que você quer. Concorrer a uma universidade ou não, é uma decisão muito importante, e só cabe a você decidir o melhor a fazer, então não deixe ninguém fazer isso por você.

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