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O Ovo ou a Galinha?

"Chicken or the Egg" by Driven-Crazy

Duas espécies de “partidos” tentam responder quem veio primeiro há muito, muito tempo. O “partido” da Galinha, que surgiu primeiro, diz haver (desde todo o sempre) tipo uma Galinha superior, que criou tudo e, em destaque, os Ovos à sua imagem e semelhança. E acreditam que essa Galinha observa tudo que você faz e gere toda a sua vida.

Já o “partido” do Ovo, é bem mais recente, e diz que, a partir de uma grande explosão, e de outros fatores consequentes desta, o Ovo surgiu primeiro, daí surgiram outros Ovos que começaram a viver em sociedade, e eles precisavam de uma explicação para as coisas que eles viam, os fenômenos da natureza, e por isso criaram a idéia de existe uma Galinha superior que fosse responsável por cada um desses fenômenos.

Bem, vocês sabem que não é sobre ovos e galinhas que estou falando.

A necessidade humana do saber, de ter o poder de controle sobre as coisas à sua volta, existe desde sempre. Essa tendência do homem em afastar-se das leis da natureza mostra-se logo no primeiro exercício da solidariedade orgânicaonde, segundo Émile Durkheim, a sociedade se desenvolve a partir da diferenciação entre indivíduos –  com a divisão de trabalho que separou capacidades entre crianças e adultos, homens e mulheres.

Esse seria o primeiro rompimento humano com o seu lado animal, indo contra a lei da natureza. Discordando da lei do mais forte(a “Teoria da Evolução”, para Darwin), ele tentava, incansávelmente, organizar a bagunça que só ele via.

Não é minha intenção quero dizer qual está certo ou errado, defender qualquer um desses partidos. Primeiro, porque não tenho autoridade nem conhecimento suficiente que me dê certeza para tal afirmação, segundo porque não dou a mesma importância que algumas pessoas dão na crença de outras. Como se isso definisse caráter…

Bem, às vezes define. Quando define, muita das vezes é pra pior.

Meu ponto aqui é falar da cegueira de algumas pessoas, que não imaginam a possibilidade de haver uma “outra versão” das histórias que lhe foram contadas.

É bem difícil claro, ouvir alguém dizer que tudo aquilo que você acredita é uma mentira, mas o problema está no valor que VOCÊ atribui à essas coisas. Não nas “crenças”, ou nos fatos em si. As coisas não se tornam verdades sozinhas, por elas mesmas, elas precisam da sua crença para que tenham realmente acontecido. Como assim?

Sabe aquela frase: “Se uma árvore cai no meio da floresta, sem ninguém por perto, ela faz barulho?” Ou ainda: “[…]a árvore REALMENTE caiu?”?

Se você dedicar (figurativamente, é claro) a uma dessas afirmações  toda a sua vida, é você quem vai sair perdendo, cedo ou tarde.

O melhor jeito de saber se a árvore caiu de verdade, ou saber se quem veio primeiro foi o ovo ou a galinha é: estudar, pesquisar, ler, e, o mais importante de tudo, manter a mente aberta e preparada para ouvir diferentes opiniões e versões sobre o assunto em questão. Não use aquela viseira que botam no cavalo, para que o coitado nunca olhe para os lados.

Do contrário, você vai passar a vida toda assim, com a tal viseira. E andando em quatro patas. Não no sentido “animal”, mas no sentido “Darwin”.

E, graças à Evolução, será passado para trás.

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Divisão do Pará for Dummies

Paraenses, todos vocês devem saber que no fim do ano(11 de dezembro) ocorrerá um plebiscito sobre a divisão ou não do estado. O que quase ninguém sabe são as verdadeiras  motivações e interesses por trás dessa divisão.

Não podemos generalizar, nem todos tem interesses maléficos para a criação desses dois estados. Há, claro, uma pequena porcentagem dos que sentem necessidade da separação por não se sentirem paraenses¹. Outros por não enxergarem o governo chegando até eles, por ser um estado muito grande, e ter a capital muito longe das cidades do interior. Entre outros motivos.

O mais impressionante é que, favoráveis ou contrários, os cidadãos que vão votar, em sua maioria, não tem argumentos sólidos, nem bons motivos para ao menos conversar sobre. Eu mesmo, há menos de um mês fui começar a pensar na importância e na responsabilidade de tudo isso.

Bem, antes de entrarmos no juízo de certo e errado, vejamos alguns números, e alguns fatos, para esclarecer as idéias.

Garanta o seu na XV Feira do Livro, rs

  • O gasto estimado somente das campanhas publicitárias supera os R$ 20 milhões(link);
  • Aproximadamente, 87% das exportações feitas pelo estado são resultados do extrativismo de minérios, vindo das regiões do Tapajós e Carajás;
  • Só a região metropolitana do Pará(onde são MUITO raros os votantes favoráveis à divisão), é ocupada por mais da metade população(link);
  • A bancada atual do Pará é formada por 17 deputados federais, com a formação desses dois novos estados, teríamos no mínimo 24. Já que é obrigatório cada estado ter, no mínimo 8 deputados;
  • Cada deputado federal gasta, em média, por mandato, R$ 27 milhões. Com mais 7 deputados resultantes da divisão, custariam R$ 190 milhões a mais aos cofres públicos(link);
  • Assistam o vídeo desse rapaz, Daniel Fraga, famoso no YouTube por seus vídeos relacionados à política, onde ele fala bastante sobre os números relacionados a esse assunto.

Além dos que citei no começo do post, um dos principais discursos dos separatistas é que a divisão resolveria os vários problemas que estas subregiões enfrentam, tal qual o Pará inteiro, tal qual o Brasil inteiro. Há outras formas de melhorar a vida das pessoas, tipo… sei lá, um governo decente, que tal? A separação não é a única, nem a melhor saída para esses problemas.

Eles expressam uma crença quase messiânica, de que, quando terminarem de cortar o estado em três,  em um piscar de olhos tudo estará perfeito como previsto, todos com suas identidades culturais devidamente preservadas em seus novos estados, todos(japoneses, italianos, alemães e paraenses) agora em seu devido lugar: bem distantes um do outro.

Sabemos que não é assim. Sabemos que, diferente do que pensa a galerinha que não vai ser tão beneficiada assim, ou seja, o povo, (o leigo, cujo papai não tem uma fazenda, nem é dono de mineradora), coitado, acredita que com a separação, seu novo e ~próspero~ estado terá uma renda perfeitamente distribuída e que os grandes fazendeiros e pecuaristas libertaram os empregados que vivem em regime de escravidão. O leigo jura que os assassinatos por terra e por “mantimento do sigilo” pararão.

Bendito Leigo“, diria Veríssimo.

Aqui no Pará, além da proposta de divisão do estado, atualmente estamos passando por uma outra espécie de polêmica, desse tipo, que é a construção da Usina de Belo Monte – esta que a Globo ficou durante uma semana passando reportagem de uma forma incrívelmente romântica sobre: falando das melhorias, dos empregos, e de histórias de brasileiros que sofriam e graças à usina conseguiram seu primeiro emprego de carteira assinada, por exemplo.

Mas, como se sabe, não é bem assim que as coisas funcionam.


“Qualquer meme vcs DESTROÇA!”

O HUMOR NA INTERNET


Com essa frase belíssima que li no twitter recentemente, cujo autor eu juro que não lembro, é possível resumir uma das minha maiores indignações vindas dessa nave louca chamada “internet”.

A minha indignação vem dos recentes ataques vândalos que vem sofrendo o fruto de uma das melhores eras do humor na internet, os nossos queridos MEMES, que são correntes ideológicas(em sua maioria, humorísticas) voluntárias, colaborativas e livres, onde todos participam, adaptam(uma das coisas mais importantes) e passam à frente.

Você com certeza já esbarrou com muitos deles por aí. Exemplos:

  • #todoschora – onde “chora” pode ser qualquer verbo na terceira pessoa no presente do indicativo do subjJÁ ENTENDERAM NÉ?;
  • Forever Alone – representando pessoas que sempre são excluídas;
  • Sou Foda – Preciso nem falar;
  • COOL Face – que errôneamente é chamado de Troll Face;

Ou seja, os memes podem ser vídeos, tirinhas ou expressões, mas onde houve a principal movimentação, foi com as tirinhas, que sofreram maior apedrejamento(rs) por conta da internet.

Não conseguir botar as tirinhas de um jeito certo aqui no post mas deixei o link de cada um dos blogs ~favoritos~ para que vocês  me entendam melhor: Mememaker, NãoIntendo, Bobagento.

Jovens que começaram a participar ativamente  de internet nesta geração (fim de 2010-2011), provavelmente não entenderão a minha revolta, já que, quando chegaram já está tudo cagado, uma verdadeira afronta ao meme oldschool(não gosto muito de usar esse termo, mas aqui é realmente necessário), ao humor de garagem.

Não quero dar uma de Dora Kramer versus Marcos Bagno, muito menos dar uma de hipster, mas é incrível a capacidade (e a aparente vontade) que as pessoas tem de querer dissecar uma piada até que ela não consiga mais ficar em pé – o mesmo é válido para músicas, bandas, etc, mas são principalmente coisas relacionadas ao humor – até que você enjoe e comece a odiar(uma das possíveis causas para isso você pode ler aqui, nesse outro post, sobre os fãs chatos).

Antes que eu entre na questão social da coisa (quem disse que não há uma?), resumo-a aqui dizendo que, eu poderia ficar aqui, esbravejando, dizendo que isso é culpa da inclusão digital, das casas bahia, da orkutização ou até mesmo do nosso saudoso e querido pc do milhão, mas as coisas vão bem além disso.

Estamos em uma época  em que todos cansaram de ser apenas espectadores, ninguém quer ficar só lendo, absorvendo tudo lhe é dito ou mostrado. Todos nós queremos criar, fazer parte de alguma coisa, e, o mais importante, ser reconhecido por isso. Seja através de links, retweets, ou citações. Para muitas pessoas o reconhecimento virtual é mais importante – ou pelo menos mais valorizado – que o ~real~.

Isso acontece porque a internet talvez seja um dos poucos meios de comunicação que é realmente igualitário. Sim, todos temos os mesmos direitos e as mesmas restrições na internet, dependendo da plataforma escolhida. E ela também pode te dar o anonimato, que serve de escudo pra não ter que dar a cara à tapas, e não ser julgado como, muitas das vezes acontece na vida real, apenas pela aparência, e sim pelo o que você é, ou consegue fazer.

Sites como KibeLoco(com suas maravilhosas piadas de duplo sentido), Bobagento(um dos principais propagadores do vandalismo contra memes)  e outros criados a partir destes, que só copiavam conteúdo alheio agora começaram a PRODUZIR, vocês tão me entendendo?

O que era merda copiada e reciclada alterando apenas a logo dos blogs em marca d’água na imagem, agora virou merda produzida em larga escala!

Então hoje os blogs de humor se tornaram praticamente todos os mesmos, tudo é uma cópia de uma cópia de uma cópia (se fossem reblogs no tumblr, aí blz), às vezes porcamente botando a logo do blog em cima da imagem ou do vídeo, como se aquele conteúdo fosse seu.

Não quero que me interpretem mal, não sou contra as tirinhas baseadas em memes, muito menos contra a participação da galere, sou contra piadas ruins ou a “zorratotalização” das coisas.

E vocês? Acham que ~TÁ FODA~ para o humor (desse tipo) na internet, ou gostam mesmo mais do blog tipo ~tirinhas~ originais e engraçadonas?

Função "O que eu estou ouvindo": Do MSN para a vida real

Desculpa o título enorme, mas é o que melhor resumiria um fenômeno que poderia muito bem se tratar de mais uma atualização do Windows Live Messenger. Desta vez trazendo aquela função de “Ativar O que eu estou ouvindo” para a “vida real”. E como seria isso?

Bem, se você anda de ônibus, com certeza já se deparou com pessoas ouvindo em seu LG preto e laranja(aquele do alto falante enorme), ou derivados, suas músicas em um volume altíssimo, e pelo menos aqui em Belém, as mais tocadas são predominantemente melody/tecnobrega, e em segundo lugar, ali, disputando, rap, pop, sertanejo e pagode.

Isso sem citar os loudspeakersmans (os famosos homens alto falante) termo que, após pesquisas(rs), criei para denominar aquelas pessoas que querem SER o próprio reprodutor de áudio, e, assim como o primeiro grupo citado, mostrar para meio mundo o que eles gostam de ouvir. O que eles fazem para isso? Andam nas ruas normalmente com os celulares na mão ou no bolso, com música tocando, como se não houvesse o amanhã. Coisas que nós normalmente não faríamos, por medo de sermos roubados ou de fazer parte de um dos grupos estudados aqui neste post.

Mas por quê isso acontece, Armando? kk vou parar com isso, ok?

Falta de fone de ouvido? Não. Inclusive várias campanhas já rolaram via Orkut e Facebook, com a esperançosa frase “Doe um fone de ouvido a um funkeiro“, mas sem sucesso. Já que o problema não é a falta do fone, e sim a falta de bom senso, tornando inútil a corrente.

Causar constrangimento nas pessoas? Talvez. Já que o horário preferido pra essa galera é simplesmente: todos os horários. “Toda hora é hora de ouvir música no máximo no meu celular mesmo que isso enfureça as pessoas que acabaram de acordar e estão indo trabalhar/estudar. Foda-se se elas não curtem o meu som, mas é assim que eu vivo, sou vidaloka”. Além do que, o fato de eu parecer bandido oprime algumas pessoas ao me contestar, mesmo educamente”.

Auto afirmação em um grupo? Bem, não auto afirmação em si (espero que este parágrafo não soe como uma reportagem da Globo), mas a idéia de simplesmente estar em um grupo é sedutora para as crianças. É normal que elas copiem o jeito de vestir, falar e agir de seus amigos mais ~descolados~ e daí vem as influências, a necessidade de parecer daquela galera. Ouvir as mesmas músicas que eles, e do mesmo jeito que eles.

Este é o ponto que eu queria chegar, o O que eu estou ouvindo, que no msn funciona sem muita intenção(pelo menos na maioria dos casos), na vida real funciona como uma forma de expressão para quem não tem tanta voz assim e é normalmente marginalizado na sociedade. As pessoas de fora dessa realidade acabam vendo de forma preconceituosa tal fato e não entendem o porquê de isso acontecer.

O post até que ficou grande pra uma idéia que eu tive durante uma ida ao supermercado(idéia esta que caberia em um tweet), mas que eu já tinha pensando a um bom tempo. Muita gente já falou sobre isso, então eu também não poderia deixar de dar a minha opinião. Espero que tenham gostado 😉

Realidades Alternativas

Então, tava me lembrando da minha infância aqui, e o quanto eu era uma criança obviamente fora do normal. Isso desde os 6 anos, fui começando a ~filosofar~ sobre a vida, universo e tudo mais. E isso coincidiu mais ou menos com a época em que eu comecei a ter acesso à internet(discada, claro), e também tínhamos a ausência de redes sociais de verdade(alguém lembra do chat da Uol? Que não passava de um ASL em versão mais lenta e mais emocionante) o que dificultava MUITO a minha expedição em buscas de aventuras na internet.

Saca o nível intelectual e humorístico da galera que AINDA usa o Chat da Uol

Eu ia querer continuar numa merda dessas? Não né, (não este pequeno estranho jovem que acreditava na possibilidade de ele ser a única pessoa/ser existente na terra e que o resto mundo seria apenas fruto da sua imaginação – essa história eu conto mais tarde) a vida tinha muito mais a me oferecer: sites humorísticos como HumorTadela(que descanse em paz), e a minha então nova descoberta: Ilusões de ótica. Sabe? Aquele cavalo que na verdade é um sapo, a mulher coçando o órgão mas na verdade tá passando creme na axila, esse tipo de coisa, simples – pra você moderninho que hoje tem a porra da banda larga a R$35 né, amigo – mas, PRA MIM, era  a coisa mais maravilhosa do mundo. “MEU DEUS COMO eles fazer essas coisas?”.

Pois é, até aí, tudo bem, mas com isso cheguei até as  Mensagens subliminares, que mais tarde me levaram até as Teorias da Conspiração. Foi que começou toda a merda.
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