Divisão do Pará for Dummies

Paraenses, todos vocês devem saber que no fim do ano(11 de dezembro) ocorrerá um plebiscito sobre a divisão ou não do estado. O que quase ninguém sabe são as verdadeiras  motivações e interesses por trás dessa divisão.

Não podemos generalizar, nem todos tem interesses maléficos para a criação desses dois estados. Há, claro, uma pequena porcentagem dos que sentem necessidade da separação por não se sentirem paraenses¹. Outros por não enxergarem o governo chegando até eles, por ser um estado muito grande, e ter a capital muito longe das cidades do interior. Entre outros motivos.

O mais impressionante é que, favoráveis ou contrários, os cidadãos que vão votar, em sua maioria, não tem argumentos sólidos, nem bons motivos para ao menos conversar sobre. Eu mesmo, há menos de um mês fui começar a pensar na importância e na responsabilidade de tudo isso.

Bem, antes de entrarmos no juízo de certo e errado, vejamos alguns números, e alguns fatos, para esclarecer as idéias.

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  • O gasto estimado somente das campanhas publicitárias supera os R$ 20 milhões(link);
  • Aproximadamente, 87% das exportações feitas pelo estado são resultados do extrativismo de minérios, vindo das regiões do Tapajós e Carajás;
  • Só a região metropolitana do Pará(onde são MUITO raros os votantes favoráveis à divisão), é ocupada por mais da metade população(link);
  • A bancada atual do Pará é formada por 17 deputados federais, com a formação desses dois novos estados, teríamos no mínimo 24. Já que é obrigatório cada estado ter, no mínimo 8 deputados;
  • Cada deputado federal gasta, em média, por mandato, R$ 27 milhões. Com mais 7 deputados resultantes da divisão, custariam R$ 190 milhões a mais aos cofres públicos(link);
  • Assistam o vídeo desse rapaz, Daniel Fraga, famoso no YouTube por seus vídeos relacionados à política, onde ele fala bastante sobre os números relacionados a esse assunto.

Além dos que citei no começo do post, um dos principais discursos dos separatistas é que a divisão resolveria os vários problemas que estas subregiões enfrentam, tal qual o Pará inteiro, tal qual o Brasil inteiro. Há outras formas de melhorar a vida das pessoas, tipo… sei lá, um governo decente, que tal? A separação não é a única, nem a melhor saída para esses problemas.

Eles expressam uma crença quase messiânica, de que, quando terminarem de cortar o estado em três,  em um piscar de olhos tudo estará perfeito como previsto, todos com suas identidades culturais devidamente preservadas em seus novos estados, todos(japoneses, italianos, alemães e paraenses) agora em seu devido lugar: bem distantes um do outro.

Sabemos que não é assim. Sabemos que, diferente do que pensa a galerinha que não vai ser tão beneficiada assim, ou seja, o povo, (o leigo, cujo papai não tem uma fazenda, nem é dono de mineradora), coitado, acredita que com a separação, seu novo e ~próspero~ estado terá uma renda perfeitamente distribuída e que os grandes fazendeiros e pecuaristas libertaram os empregados que vivem em regime de escravidão. O leigo jura que os assassinatos por terra e por “mantimento do sigilo” pararão.

Bendito Leigo“, diria Veríssimo.

Aqui no Pará, além da proposta de divisão do estado, atualmente estamos passando por uma outra espécie de polêmica, desse tipo, que é a construção da Usina de Belo Monte – esta que a Globo ficou durante uma semana passando reportagem de uma forma incrívelmente romântica sobre: falando das melhorias, dos empregos, e de histórias de brasileiros que sofriam e graças à usina conseguiram seu primeiro emprego de carteira assinada, por exemplo.

Mas, como se sabe, não é bem assim que as coisas funcionam.


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Sobre Armando Netto /armandrops

Escreve em blogs há mais de 4 anos, e vive há 19. Estudante de Ciências Socias na UFPa, mas não se contenta com isso, afinal até Sertanejo é universitário hoje em dia. Procura empregos em todas as áreas, desde pedreiro(sabe fazer cantadas) até em empresas pequenas como Google e Microsoft(confira a página Currículo no cabeçalho do blog). Ah, ele também odeia de quem fala de si mesmo na terceira pessoa, entende?

Publicado em 09/09/2011, em puta post demorado e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Armando netto amadurecendo nos posts. muito bacana cara.
    a divisão do Pará é muito complexa.. não da pra ficar com opiniões simplistas.

    • valeu hércilon ;D
      verdade, é muito complexo, mas TEM que ser debatida, não de uma forma simplista, mas de forma simples, (o que é diferente) para que chegue com facilidade à todos;
      abraço

  2. mais do que nunca o povo paraense precisa se unir!

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